Na tarde de um sábado chuvoso de pandemia, pude viajar um pouco na minha história de vida companhando emocionado a Live da minha querida Portela, conduzida com brilhantismo por nossa Porta Bandeira Lucinha Nobre. Como tudo que se refere à Portela, pude acompanhar um desfile de celebridades do mundo do samba.
Dentre essas pessoas, ouvi um depoimento emocionado de Cecilia Rabello, filha do Paulinho da Viola que terminou dizendo que a Portela fazia parte de sua essência. Logo em seguida, uma lembrança me fez viajar no tempo e lembrar uma manhã na praia quando minha mãe me acordou, pois estava tocando na rádio o samba “Macunaima” que a Portela levaria para a avenida no carnaval de 1975, cantado com a alegria e paixão de Clara Nunes. Lembro de ficar ouvindo extasiado junto com meu avô. E, certamente, naquele momento já era Portela.

Esse sentimento já fazia parte de minha essência. A partir dali percebia a importância que o carnaval teria na minha vida. Resolvi narrar essa história pois é essa a explicação que encontro para, após alguns anos afastado do fazer carnaval, querer retornar ao barracão e à tarefa de responder pelo desfile de uma escola. É minha essência estar inserido na arte de pensar, conceber, criar, executar, planejar e, sobretudo, viver o carnaval. É essa essência que nos faz várias vezes mentirmos para nós mesmo ao afirmar que esse será o último ano, pois não sabemos como responderemos a um novo chamado para experimentar a força de energia que toma nossa essência e nos transforma em carnavalescos, por paixão e devoção. Devoção que se confunde com nossa identidade enquanto seres sociais, que nos alegra, nos integra e nos faz sermos autenticamente, essência. E minha essência me pede para não desistir e tentar ainda ver o carnaval transmutar esses momentos difíceis em novos cenários de luzes, dança, canto e cores. E por isso estou aqui, ainda acreditando na contribuição que poderei dar a essa expressão mais pura da minha essência. Viva o Carnaval
Álvaro Machado/Carnavalesco








